Até 1995, a legislação portuguesa não dava quaisquer direitos aos avós, no caso de separação dos pais ou da morte de um. A partir daí, foram estabelecidos dois princípios: o de relacionamento com o neto, dividido entre a relação pessoal propriamente dita e as informações sobre a vida do menor; e o do direito da criança a conviver com os avós, como forma de desenvolvimento da sua personalidade e identidade. No entanto, Luís Silva ressalva que as possibilidades dadas pela lei não podem ser confundidas com o poder paternal e não devem ser motivo para a imposição de vontades dos avós. «Trata-se de um direito complementar de afectividade e convívio que, em termos práticos, pretende assegurar aos avós e netos a manutenção dos vínculos que os unem, independentemente da degradação das relações dos pais entre si e com os antigos sogros».VALORES E PERTENÇA
«Uma separação ou divórcio leva sempre à alteração dos laços entre avós e netos. Isso é inevitável e acontece no âmbito das profundas mudanças que afectam todos os envolvidos. Mas não deve ser pretexto para travar os estímulos emocionais que se desenvolvem entre os mais velhos e os mais novos».
Num tempo social em que «é cada vez mais difícil a transmissão de valores e de sentido de pertença, a perda dos avós pode tornar-se irreparável» pois «dificilmente se encontram substitutos», adianta. Aos pais cabe a missão «instrutora, normativa», mas os pais dos pais «possuem um ritmo mais pausado, mais próximo das crianças. Eles também educam, mas fazem-no de outro modo: mostram como é que a família chegou até ao presente, possuem uma capacidade narrativa impressionante e passam ideias adiante, mesmo quando a intenção é que os mais novos as rejeitem através de exemplos!». Nos avós «porque têm mais disponibilidade mental e material para isso, desagua o ribeiro patrimonial da família, cheio de tesouros que é um crime desperdiçar», adianta o psicólogo clínico.
«Perante situações de afrontamento que têm no centro crianças, costumo dizer que tanto os pais como os avós não têm direitos, têm obrigações. Por sua vez, a criança tem o direito inalienável de ser preparada para a sociedade e isso implica que os adultos, cumpram os seus respectivos papéis», defende José Carlos Garrucho. E não existe um segundo a perder. «Todas as coisas têm o seu tempo e esse tempo edifica pessoas diferentes. Até aos cinco anos, as crianças constroem grande parte da forma de enfrentar o mundo, as suas capacidades de coragem e resiliência. Não permitir aos adultos – sejam eles pais, avós ou outros – que contribuam para esse processo significa empobrecê-lo de forma irremediável».
«Uma separação ou divórcio leva sempre à alteração dos laços entre avós e netos. Isso é inevitável e acontece no âmbito das profundas mudanças que afectam todos os envolvidos. Mas não deve ser pretexto para travar os estímulos emocionais que se desenvolvem entre os mais velhos e os mais novos».
Num tempo social em que «é cada vez mais difícil a transmissão de valores e de sentido de pertença, a perda dos avós pode tornar-se irreparável» pois «dificilmente se encontram substitutos», adianta. Aos pais cabe a missão «instrutora, normativa», mas os pais dos pais «possuem um ritmo mais pausado, mais próximo das crianças. Eles também educam, mas fazem-no de outro modo: mostram como é que a família chegou até ao presente, possuem uma capacidade narrativa impressionante e passam ideias adiante, mesmo quando a intenção é que os mais novos as rejeitem através de exemplos!». Nos avós «porque têm mais disponibilidade mental e material para isso, desagua o ribeiro patrimonial da família, cheio de tesouros que é um crime desperdiçar», adianta o psicólogo clínico.
«Perante situações de afrontamento que têm no centro crianças, costumo dizer que tanto os pais como os avós não têm direitos, têm obrigações. Por sua vez, a criança tem o direito inalienável de ser preparada para a sociedade e isso implica que os adultos, cumpram os seus respectivos papéis», defende José Carlos Garrucho. E não existe um segundo a perder. «Todas as coisas têm o seu tempo e esse tempo edifica pessoas diferentes. Até aos cinco anos, as crianças constroem grande parte da forma de enfrentar o mundo, as suas capacidades de coragem e resiliência. Não permitir aos adultos – sejam eles pais, avós ou outros – que contribuam para esse processo significa empobrecê-lo de forma irremediável».

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